As Farpas: Chronica Mensal da Politica, das Letras e dos Costumes (1882-06/07)

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By Betty Young Posted on Dec 25, 2025
In Category - Online Safety
Portuguese
Hey, have you ever wondered what people were *really* talking about in a Lisbon café back in 1882? I just read this fascinating book, 'As Farpas,' and it feels like opening a time capsule. It’s a monthly chronicle written by an anonymous author, and it’s packed with sharp, witty commentary on everything from messy politics and new books to the latest social trends. The main mystery is the author's identity—who had the guts to write this? Reading it is like eavesdropping on the most interesting gossip column of the 19th century. If you love history with personality, you’ve got to check this out.
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milhões d'egoismos explorando-se mutuamente e aborrecendo-se em commum. Chamar patria á porção de territorio em que uma tal aggregação se encontra seria abusar reprehensivelmente do direito que cada um tem de ser metaphorico. O espaço circumscripto pelo cordão aduaneiro, dentro do qual sujeitos acompanhados das suas chapelleiras e dos seus embrulhos ou tomaram já assento ou furam aos cotovelões uns pelo meio dos outros para arranjar logar nas bancadas, pode-se chamar um _omnibus_--e é exactamente o que é--mas não se pode chamar uma patria. A patria não é o sitio em que nos colloca o acaso do nascimento, á mão direita ou á mão esquerda de um guarda da alfandega, mas sim o conjunto humano a que nos liga solidariamente a convicção de um pensamento e de um destino commum. Já um sabio o disse: _Ubi veritas ibi patria._ A patria não é o solo, é a ideia. * * * * * Para que haja uma patria portugueza é preciso que exista uma ideia portugueza, vinculo da cohesão intellectual e da cohesão moral que constitue a nacionalidade de um povo. Sabem dizer-nos se viram para ahi esta ideia?... Nós temol-a procurado de aventura em aventura, de jornada em jornada, n'uma peregrinação de vinte annos atravez d'esta sociedade, como Ulysses, vagabundo atravez da Odyssea, em busca, do fumosinho tenue e amigo que adeje no horisonte por cima da primeira cabana d'Ithaca. As manifestações culminantes da mentalidade collectiva de um povo são: a Religião, a Politica, a Moral, a Arte. Vejamos rapidamente se em alguma d'estas espheras da nossa elaboração mental se revela a unidade de pensamento por meio da qual se affirma a existencia de uma nação. * * * * * Em religião os cidadãos portuguezes dividem-se, em uma infinidade de categorias diversas. Temos em primeiro logar os livres pensadores, que nunca pensaram, coisa alguma sobre este ponto, apesar da liberdade com que se dotaram para esse fim. Temos depois os indifferentes, que se subdividem pelos diversos graus de medo que têem ao Incognoscivel sempre que ha epidemias ou tremores de terra. Seguem-se os deistas, que acceitam Deus como entidade abstracta pela qual se explica a ordem do cosmos, no qual Deus figura como maquinista, e egualmente se explicam as justiças da historia, nas quaes o mesmo Deus se manifesta sob a forma de dedo,--o bem conbecido _dedo de Deus_. Veem depois os christãos, e por ultimo os catholicos. Estes separam-se uns dos outros por tantas diferenças de opiniões quantos são os individuos agremiados na Igreja. Ha os que crêem na infalibidade do papa e os que não crêem em tal infalibilidade; os que vão á missa e os que não vão á missa; os que se confessam de tudo, os que se não confessam senão de certas coisas, e os que de todo em todo se não confessam. Uns encabeçam a divindade no Senhor dos Passos da Graça e, com as suas opas roxas e suas cabelleiras anediadas pela bandolina do culto no bairro oriental, olham com despeito para os devotos afrancesados de Nossa Senhora de La Salette, divindade de chic suspeito ás devoções da Baixa. Os escolhidos do alto clero, que se gargarejam em suas tribulações com agua de Nossa Senhora de Lourdes, garantida verdardeiro João Maria Farina, da Gruta, sorriem de desdem pelos que ainda cuidam expurgar-se do peccado e clarificar-se para a protecção divina com a velha agua benta de mendigo de porta de Igreja, preparação de Santo Ignacio, hoje desprestigiada e choca. Aquelles proprios que são por um mesmo e unico santo lêem entre si dissidencias acrimoniosas de detalhe. Nós mesmos vimos ha trez...

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So, what is this book? 'As Farpas' is a collection of monthly chronicles published in Portugal in 1882. Think of it as a blog before blogs existed. Each entry is a snapshot of that month, where the unknown author gives their take on the political drama, the newest literature hitting the shelves, and the everyday habits of Portuguese society. There’s no single plot, but the through-line is the author's sharp eye and even sharper pen, calling out hypocrisy and poking fun at the powerful.

Why You Should Read It

This isn't dry history. The voice is alive—it's sarcastic, clever, and deeply human. You get a real sense of the daily frustrations and small joys of life over 140 years ago. The author isn't just reporting events; they're reacting to them with humor and critique. It makes you realize how some things (like complaining about politicians) truly never change. It’s the perfect antidote to thinking of the past as just dates and dead people.

Final Verdict

This is a gem for anyone who loves untold stories and social history. If you enjoy shows or books that explore an era through the eyes of a witty observer, you’ll feel right at home. It’s also a great pick for readers who like primary sources but want something with more personality than an official document. Just be ready for some very 19th-century references—a quick Google search here and there is part of the fun!



🔓 License Information

This masterpiece is free from copyright limitations. It is now common property for all to enjoy.

James Davis
1 year ago

Very interesting perspective.

Elijah Moore
1 month ago

Enjoyed every page.

Robert Thompson
9 months ago

Very interesting perspective.

James Harris
1 year ago

Essential reading for students of this field.

Carol Allen
1 year ago

I started reading out of curiosity and it challenges the reader's perspective in an intellectual way. One of the best books I've read this year.

4.5
4.5 out of 5 (17 User reviews )

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